Dom Zanoni integra 16º Encontro dos Bispos das Grandes Cidades, em Goiânia, refletindo os desafios da evangelização urbana

O arcebispo metropolitano de Feira de Santana, Dom Zanoni Demettino Castro, participou, nos dias 18 e 19 de agosto, em Goiânia (GO), do 16º Encontro dos Bispos das Grandes Cidades brasileiras. Promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em parceria com a Arquidiocese de Goiânia, a edição teve como tema “Viver a Fé nas Grandes Cidades: Iniciação à Vida Cristã e Pequenas Comunidades” e reuniu bispos de diferentes regiões do país para refletir sobre os desafios da evangelização nos grandes centros urbanos.

Realizado no Centro Pastoral Dom Fernando, o encontro marcou uma nova etapa na trajetória da iniciativa, que passa a ser assumida diretamente pela CNBB. Criado a partir da articulação de bispos interessados em compartilhar experiências sobre a ação pastoral nas grandes cidades, o encontro vinha sendo organizado de maneira mais informal. Durante a edição realizada em Curitiba, em 2025, foi apresentada a proposta para que a Conferência passasse a assumir sua organização e continuidade.

Ao longo dos dois dias, a programação reuniu exposições, trabalhos em pequenos grupos, plenárias, momentos de oração e celebrações. As reflexões se concentraram, especialmente, na Iniciação à Vida Cristã, na formação de pequenas comunidades e na necessidade de encontrar respostas pastorais para uma realidade urbana marcada por profundas transformações culturais, novas formas de relacionamento, individualismo e enfraquecimento dos vínculos comunitários.

Entre os temas abordados estiveram o crescente número de adolescentes e adultos que procuram os sacramentos, o acompanhamento dos fiéis após a iniciação sacramental, a influência dos meios de comunicação e das redes sociais na aproximação das pessoas com a Igreja e os desafios da presença evangelizadora em territórios urbanos cada vez mais complexos.

As discussões destacaram, ainda, a necessidade de superar uma compreensão da catequese reduzida à transmissão de conteúdos ou à preparação imediata para a recepção dos sacramentos. A Iniciação à Vida Cristã foi apresentada como um processo mais amplo, que conduz ao encontro com Jesus Cristo, ao amadurecimento da fé, à inserção efetiva na comunidade e à formação permanente do batizado.

Nesse caminho, a formação de pequenas comunidades apareceu como uma resposta importante aos desafios da vida contemporânea. Os participantes refletiram sobre a necessidade de criar espaços nos quais as pessoas possam estabelecer vínculos mais próximos, compartilhar a vida, cultivar a amizade, rezar juntas e aprofundar a Palavra de Deus, favorecendo uma experiência eclesial que ultrapasse o anonimato muitas vezes presente nas grandes cidades.

Dom Zanoni participou dos trabalhos em grupo e das plenárias, contribuindo para as reflexões a partir da realidade pastoral da Arquidiocese de Feira de Santana. Entre os desafios abordados esteve a necessidade de fortalecer a integração entre paróquias, pastorais, movimentos e novas comunidades, evitando iniciativas isoladas e favorecendo maior comunhão com as orientações pastorais da Igreja particular.

As partilhas também trataram da cooperação entre ministros ordenados e leigos e da necessidade de superar formas de clericalismo que acabam concentrando no sacerdote responsabilidades que podem ser assumidas por outros membros da comunidade. Nesse sentido, os participantes defenderam uma Igreja marcada pela diversidade de ministérios e pelo reconhecimento dos dons e serviços presentes no Povo de Deus.

A reflexão alcançou ainda a formação dos futuros presbíteros, apontando a necessidade de preparar os seminaristas para o acompanhamento de comunidades, para a convivência pastoral e para o trabalho conjunto com os leigos, de modo que a formação presbiteral esteja cada vez mais conectada aos desafios concretos da evangelização nas cidades.

A amizade foi apontada como um caminho importante para a evangelização, especialmente entre os jovens. Mais do que simplesmente convidá-los para atividades religiosas, a Igreja é chamada a favorecer ambientes de convivência, acolhimento e construção de relações autênticas, nos quais o anúncio do Evangelho possa se inserir na experiência concreta das pessoas.

O encontro também ressaltou a importância dos conselhos pastorais como espaços efetivos de comunhão, discernimento e participação, e não apenas como estruturas voltadas à organização de atividades ou eventos. A valorização da ministerialidade leiga e a articulação entre os diferentes carismas foram apresentadas como elementos fundamentais para uma ação pastoral mais integrada.

Assim, com a realização da 16ª edição, o Encontro dos Bispos das Grandes Cidades passa a integrar de maneira mais direta a dinâmica da CNBB, fortalecendo um espaço permanente de reflexão sobre os desafios enfrentados pelas Igrejas locais inseridas em contextos urbanos. A experiência de Goiânia reforçou a necessidade de uma conversão pastoral, missionária e sinodal capaz de fortalecer pequenas comunidades, formar discípulos missionários e renovar a presença evangelizadora da Igreja nas cidades brasileiras.

Assessoria de Comunicação – ASCOM
Arquidiocese de Feira de Santana

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