Dom Zanoni participa de encontro do Celam, em Bogotá, debatendo sinodalidade e desafios pastorais na América Latina

O arcebispo metropolitano de Feira de Santana, Dom Zanoni Demettino Castro, participa, nesta semana, do encontro continental “Hacia una Iglesia Sinodal en Red”, promovido pelo Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), em Bogotá, na Colômbia, entre segunda-feira (17) e quinta-feira (19).

Bispo referencial da Pastoral Afro-Brasileira, Dom Zanoni integra as reflexões pastorais em âmbito continental ao lado de lideranças eclesiais de mais de 13 países, que buscam aprofundar a articulação em rede e os processos sinodais da Igreja na América Latina e no Caribe.

Convocado pelo Centro de Programas e Redes de Ação Pastoral (Ceprap), o terceiro encontro das plataformas e redes eclesiais reúne 63 participantes entre bispos, religiosos, sacerdotes e leigos vinculados a 27 iniciativas pastorais. A proposta é fortalecer a comunhão entre experiências territoriais e temáticas, inspiradas nos quatro sonhos apresentados na exortação apostólica Querida Amazonía: social, cultural, ecológico e eclesial.

Durante a abertura, o cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente do Celam, destacou o horizonte positivo para o trabalho conjunto das Igrejas das Américas e mencionou o envio de uma mensagem ao Papa Leão XIV manifestando o desejo de ampliar a cooperação entre os episcopados da América Latina, Estados Unidos e Canadá. Já o arcebispo do Panamá, dom José Domingo Ulloa, ressaltou que temas como migração e cuidado com a Casa Comum exigem ações pastorais articuladas em nível continental.

Ainda durante a programação, a celebração da Quarta-feira de Cinzas marcou espiritualmente o encontro. Em sua homilia, Dom Zanoni destacou que o início da Quaresma é um convite à transformação interior, recordando que “não se trata de um gesto exterior, mas de uma transformação interior; Deus não quer aparências, quer o coração”. A reflexão conectou o tempo litúrgico com os desafios discutidos pelas redes eclesiais, apontando que a conversão possui dimensão pessoal e também comunitária e missionária.

O arcebispo recordou, também, que a Igreja é chamada a responder às crises sociais e ambientais com esperança ativa, lembrando que “a conversão que hoje se nos pede não é somente individual; é também comunitária, pastoral e missionária”, a partir da vivência da oração, do jejum e da caridade, que devem levar a uma postura concreta de reconciliação e justiça.

Programação e metodologia do encontro

A programação foi organizada em três etapas inspiradas no método ver, julgar e agir. Na primeira jornada, os participantes realizaram uma leitura compartilhada da realidade social, eclesial e ecológica da América Latina e do Caribe, em momentos de oração, diálogo e construção coletiva. O segundo dia foi dedicado ao discernimento sobre como viver a sinodalidade nas diferentes realidades pastorais, enquanto o terceiro concentra o planejamento conjunto das ações para os próximos anos.

Entre os eixos estratégicos estão a construção de uma Igreja sinodal em saída e o desenvolvimento humano aliado à ecologia integral. As atividades incluem conferências, trabalhos em grupo, celebrações e espaços de partilha de experiências pastorais que fortalecem a articulação entre redes e plataformas eclesiais.

Reflexão teológica sobre a sinodalidade

Um dos momentos centrais foi a iluminação teológico-pastoral conduzida pelo teólogo mexicano Ernesto Palafox, que apresentou cinco elementos para compreender a sinodalidade como estilo de Igreja: estilo, estruturas, processos, eventos e avaliação. A proposta destacou que a sinodalidade começa por uma mudança interior e por relações evangélicas que orientem a missão.

Segundo o teólogo, eventos como assembleias e sínodos são expressão visível de processos mais amplos e precisam ser acompanhados por avaliação constante para manter a coerência pastoral. A harmonia entre comunhão, participação e missão foi apontada como chave para a caminhada sinodal vivida pelas redes presentes no encontro.

Igreja em rede e presença continental

O encontro reúne redes pastorais territoriais e temáticas que atuam em frentes como promoção da justiça social, cuidado com a criação e defesa da vida. As comissões dinamizadoras do Ceprap trabalham a partir de quatro linhas principais: organização e participação, conversão e cultura do encontro, inculturação e interculturalidade, além de esperança e vida digna.

Ao relacionar o caminho sinodal com o tempo quaresmal, dom Zanoni recordou que “rasgar o coração significa deixar cair as máscaras e permitir que Deus transforme nossas atitudes”, ressaltando que a Igreja precisa viver uma espiritualidade que una oração e compromisso concreto com os mais vulneráveis.

Com a participação do arcebispo, a Arquidiocese de Feira de Santana marca presença nas reflexões continentais que buscam fortalecer a ação pastoral em rede e responder aos desafios atuais da Igreja na América Latina. O encontro segue até esta quinta-feira (19), com a apresentação das sínteses dos grupos e a celebração de encerramento, reunindo os compromissos assumidos pelas redes e plataformas para os próximos anos.

Assessoria de Comunicação – ASCOM
Arquidiocese de Feira de Santana

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